chama-se, desde esta manhã, pipoca (por causa da cor).
o pipoca está a portar-se lindamente. dormiu bem e só chorou para pedir mais comida. devia estar esfomeado, o pequeno. apesar de tudo, o pipoca ainda olha para nós, humanos, desconfiado. e com medo. o pipoca terá de aprender a confiar e isso só é possível se lhe mostrarmos amor e carinho. o pipoca tem aquele ar triste de quem foi abandonado. e dói ver essa tristeza nos olhos dele. mas o pipoca irá receber mimos, muitos mimos, paletes de mimos. porque um dia o pipoca há-de sentir-se um cachorro verdadeiramente feliz.
abandonado num descampado aqui perto de casa. foi a cacau que o encontrou na caminhada pós-jantar e ia comendo-o vivo (ela não tem instinto maternal nenhum). já lhe dei banho, comida, água e embrulhei-o numa toalha dela. já dorme, o pequenino. veio o caminho todo a tremer, cheio de medo. para já está a portar-se muito bem. não ganiu senão para protestar a temperatura da água. amanhã levo-o ao veterinário para o examinar e como o meu irmão mais novo andava à procura de um cachorro este veio mesmo a propósito.
a sério que não sei como é que as pessoas que cometem estas atrocidades conseguem dormir de noite.
aparentemente, o nome está muito em voga e doroteia é uma das personagens de um programa infantil brasileiro - o quintal da cultural. doroteia é, então, uma menina de cabelo verde e vestido colorido, magrinha, divertida, carinhosa e desastrada, que tem uma voz fininha e um choro agudo desesperante.
tudo a ver comigo, excepto a parte do cabelo verde, da voz fininha e do choro agudo.
é curioso que tenham optado pelo nome doroteia para uma personagem se considera o pilar moral lá da terriola mas que foi quenga na juventude. é bastante irónico, até.
doroteia, jovem romana que viveu no ano trezentos e quatro, ficou conhecida por oferecer a sua virgindade a Deus, motivo pelo qual foi perseguida e martirizada. a rapariga passava o dia entre jejuns, orações e fazia-se valer da fortuna da família para ajudar os mais pobres. foi condenada a morte capital e na altura em que foi assassinada realizou um milagre. embora não exista qualquer prova científica da veracidade desta lenda, crê-se que o corpo de doroteia repousa em Roma, numa igreja com o seu nome.