domingo, 12 de agosto de 2012

espanta-me que um pai

tão orientador e preocupado com o futuro da filha, a ponto de a acompanhar para todo o lado, a deixe andar por aí a dizer palermice atrás de palermice. se o que vimos no programa já adivinhava que há muito a desejar na educação da menina, cá fora tem sido o descalabro total. respeito pelos outros e bom senso são palavras que não fazem parte do vocabulário desta personagem

não gosto de estar sozinha.

quando não é por opção. não nestas circunstâncias. as coisas mudaram de um dia para o outro, como sempre mudam. basta um instante. não sei o que nos espera mas não auguro nada de bom. e para agravar esta minha solidão contribui o facto de me ter esquecido do meu telemóvel na ida ao norte. nos últimos dias tenho estado limitada a uma única chamada do trabalho. não chega. não nestas circunstâncias. o meu lugar é junto a ti no bom e no pior. sofro por ti, por vocês por não saber se o futuro nos trará esperança. por saber também que nada posso fazer para evitar este sofrimento. nestes momentos sentimo-nos impotentes. contra a doença, contra o diagnóstico. limitamo-nos a estar aqui na esperança de que seja suficiente e de que melhores dias virão. a vida é mesmo assim: num dia somos felizes, no dia seguinte não. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

a cacau sabe

que algo de errado se passa. houve aquela noite em que ficou sozinha a guardar a casa. e agora estranha a tua ausência. sempre que ouve o portão a bater com o vento, pára e escuta na esperança que sejas tu. e olha para mim e late como que a perguntar onde estás.

como se vive

com uma sentença anunciada? todos nós iremos morrer é certo, mas a maioria não sabe quando. o que se faz com um prazo? seria preferível não saber?

e a partir desse momento

sabemos que dificilmente voltaremos a ser felizes como dantes.